
Luiz Nicoletti foi detido em casa, na última terça-feira (1º); segundo as investigações, ele teria o papel de financiar compra de entorpecentes
Um servidor da Câmara de Vitória foi preso durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), contra o tráfico de drogas. Segundo a denúncia, Luiz Nicoletti é investigado por participar diretamente de transações financeiras que auxiliavam um grupo criminoso a adquirir os entorpecentes.
A ação aconteceu na última terça-feira (1º) na casa de Luiz, no bairro Eurico Salles, na Serra, onde materiais eletrônicos também foram apreendidos.
Em nota, a Câmara de Vitória informou que Luiz Nicoletti foi nomeado em 2022 para a estrutura da Casa. O Portal da Transparência mostra que ele atuava na Diretoria Geral como assessor pleno comissionado. "Assim que a atual gestão tomou conhecimento dos fatos, adotou as providências cabíveis e solicitou sua exoneração. A Presidência reforça seu compromisso com a integridade no serviço público e reitera que eventuais condutas alheias às suas funções não refletem os princípios que norteiam esta instituição", informou a Casa de Leis.
Participação no esquema
A reportagem de A Gazeta teve acesso à denúncia do MPES, que detalha como funcionava o esquema. De acordo com as investigações, o nome de Luiz apareceu em meio às apurações da Operação Mosaico, que tinha o objetivo de desarticular uma associação criminosa que atua no tráfico de drogas, armas, associação ao tráfico, lavagem de dinheiro, corrupção e falsificação de documentos.
Na ocasião, foram denunciados o empresário Ramon Coelho dos Santos e João Gabriel Coitinho Maciel, que se juntaram, em 2022, para praticar o crime de tráfico de drogas. O nome de Ramon já foi citado pela colunista de A Gazeta Vilmara Fernandes, no ano passado, como investigado por corromper servidores públicos e gerir um esquema criminoso de falsificação de documentos, como carteiras de identidade para criminosos; benefícios para detentos em unidades prisionais e fraude no cumprimento de mandado judicial de busca e apreensão.
Durante as investigações, Luiz Nicoletti apareceu trocando mensagens com João Gabriel. O papel dele no esquema seria enviar dinheiro para a compra de drogas. O MPES conseguiu obter comprovantes que mostram transferências de R$ 22 mil e R$ 27,5 mil.
"As mensagens trocadas entre os envolvidos indicam que João Gabriel planejava uma viagem a Rondônia para tratar de negócios ilícitos relacionados ao tráfico de drogas. Luiz Nicoletti desempenhou um papel crucial no planejamento financeiro da operação, e, mesmo após João desistir da viagem, ele manteve-se envolvido, gerenciando o envio de quantias de dinheiro", diz um trecho da denúncia do MPES.
Nota do MPES
Em nota, o MPES informou que cumpriu um mandado de prisão preventiva na última terça-feira (1º) e um mandado de busca e apreensão conforme decisão judicial expedida pela 2ª Vara Criminal de Vitória.
"Medidas judiciais de buscas e apreensões realizadas em outras investigações, entre outras diligências, culminaram na obtenção provas de financiamento da prática do crime de tráfico de drogas, com a aplicação de recursos necessários à aquisição, transporte e distribuição de entorpecentes na região da Grande Vitória", completou o MPES.
A reportagem de A Gazeta tenta localizar a defesa de Luiz para obter um posicionamento sobre o caso, e deixa este espaço aberto para manifestações.
Fonte: Noroeste News