Uma inspeção realizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) na Igreja Matriz da Paroquia São João Batista, de Muqui, região Sul do estado, concluiu que um ataque de cupins atingiu de forma intensa toda a extensão do telhado do templo, causando sobrecarga na estrutura. O cupim provocou, ainda, fissuras nos pilares e no ponto de ligação entre a parte inferior e os adornos construídos com arcos de madeira e material cimentício.
A igreja foi interditada pelo pároco e enquanto estiver fechada, as atividades religiosas vão acontecer no salão paroquial, que fica ao lado do templo.
A vistoria foi realizada pelo engenheiro civil Erivelto Diogo da Silva e pelo engenheiro civil e de segurança do trabalho Giovanni Machado Mascarelo a pedido do presidente do Crea-ES engenheiro Jorge Silva, com o propósito de atender a demanda do pároco responsável pela igreja, Padre Enildo Genásio de Souza, que, solicitou um parecer do Conselho sobre as atuais condições estruturais da cobertura e apontamentos das situações de não conformidades encontradas.
"A edificação não possui os projetos arquitetônicos nem tampouco os projetos estruturais. Isso dificultou a realização de uma análise mais detalhada, fundamentada em documentação técnica. Nosso diagnóstico baseou-se nas características visuais de sinais de manifestações patológicas por agentes bióticos. A idade da estrutura combinada com a falta de um programa de manutenção estabelecido e, ainda, com a ausência de um tratamento preventivo, fizeram potencializar o surgimento de manifestações patológicas na estrutura de madeira da cobertura do templo", relatou Erivelto Diogo.
O Relatório de Vistoria Técnica do Crea-ES propõe que o acesso às dependências do templo fique restrito as pessoas que irão realizar os levantamentos técnicos, os reforços estruturais, o tratamento e a recuperação da estrutura. Os engenheiros também recomendaram a contratação de profissionais devidamente habilitados para a Inspeção Predial Total minuciosa do local, e a elaboração de projeto estrutural do telhado.
Ainda de acordo com o documento, é necessária a contratação de profissional habilitado para executar o trabalho de descupinização da estrutura, dos imóveis no seu entorno, inclusive na área verde existente nas proximidades do templo. O Relatório aconselha comunicar os órgãos responsáveis como Defesa Civil Estadual, Secretaria de Estado da Cultura, IPHAM e a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim sobre a gravidade das manifestações patológicas identificadas e a necessidade de interdição do imóvel até que sejam tomadas todas as providências cabíveis.
O Crea-ES ressalta que a edificação possui nível de proteção e conservação rigorosa no que se refere a preservação dos valores que ultrapassam aos valores materiais, dada a sua importância e ao seu significado histórico, artístico e cultural.
"Considerando a idade da edificação e o grande fluxo de pessoas que frequentam o local diariamente, é essencial adotar medidas para preservar e conservar a Igreja Matriz de São João Batista de Muqui, proporcionando a segurança dos fiéis, turistas, funcionários e todos os visitantes. A comunidade deve ser informada sobre a importância dessas medidas preventivas e de todos os cuidados que são necessários para minimizar ao máximo qualquer risco" concluiu o presidente do Crea-ES engenheiro Jorge Silva.